terça-feira, 23 de abril de 2013

Gravata e pessoas


Veja só como as pessoas são estranhas e carentes. Tão estranhas e carentes e com dificuldades em se comunicar.

Não raro dou alguns conselhos sentimentais e sexuais, quase sempre em conjunto, e até certo dia um amigo comentou: você devia fazer disso sua profissão. Rimos horrores. A ideia voltou algumas vezes e até cheguei a incrementar a ideia com sócias. Vai ver o mundo só precisa de uma palavra amiga.

Nunca distribui cartão, mas os clientes (que nunca pagaram) não deixam de chegar. Essa semana, um amigo terminou a conversa de um jeito meio estranho, me escrevendo:  "Si conoces a alguna chica que quiera compartir sus sentimientos con un chico responsable, amable, inteligente y hogareño, me avisas soy yo."
A tradução seria algo como "Se você conhece alguma garota que queira compartilhar seus sentimentos com um cara responsável, amável, inteligente y caseiro, me avisa, sou eu."

Enquanto isso, estava hospedando (e essa coisa de hospedar logo mais rende outra postagem) uma jovem italiana de 20 e poucos anos que só queria a companhia desse tipo de cara mas, ao mesmo tempo, só queria a atenção de um cara festeiro - cafusú, pros entendedores recifenses. Adivinhe só? O tal cafusu da italiana não tinha nada que ela dizia buscar. Ela me confidenciou, quase encomendando, que queria se relacionar com o cara parecido com aquele meu amigo super caseiro e atirado.

Responsável, amável, inteligente...
Diante das confissões de ambos, resolvi responder com amabilidade e não dizer nada. Não, isso não combina comigo, mas pra que cometer sincericídio de amizades quando sabemos que algumas pessoas não querem escutar as nossas verdades que queremos opinar?

Tem trabalho e não tem tempo. Tem muito tempo disponível, mas não é responsável. É responsável, mas não é bonit@. Seria bom se a gente parasse de criar pessoas perfeitas, que devem encaixar perfeitamente nas necessidades que criamos para outra pessoa realizar. Principalmente porque a maioria de nós sequer exerce auto crítica.

Gente é um bicho que dá um nó em si mesmo.

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