domingo, 7 de julho de 2013

Viajeira


Pesquisando sobre minhas próximas e tão sonhadas férias encontrei um menino do Rio que vai na mesma época, estamos trocando informações e fiquei de dar umas dicas de mochila e revisar necessidades com ele. Faz tempo que queria compartilhar isso num post, agora vai.

Setas amarelas no Caminho de Santiago de Compostela

Pra começar eu sou mulher e viajo sozinha, mas essas dicas servem pra qualquer viajante.

Se você gosta de ser alesada ou alesado, bom, viver e não só viajar pode ser um problema.  Tomar alguns cuidados devem ser tomados, principalmente se você vai pra algum lugar onde a cultura é muito diferente. No Brasil a gente sabe que machismo machuca e até mata, pois vá sabendo que não é exclusividade nossa. Sou de Recife, onde é quente e não raro usamos roupas pequenas, vá sabendo também que isso pode não ser prudente. O segredo é, no geral, evitar parecer um “gringow”, olhe ao redor como as pessoas se comportam, isso faz parte do respeito que a gente aprende a viajar, observando.

Eu acho que não vale a pena se jogar numa balada ou festa sem alguém de confiança junto. Além de estar alerta, é bom evitar situações de risco desnecessário. Evitar andar sozinha à noite e evitar lugares desertos. Se eu noto alguém me seguindo não tenho nenhum pudor de entrar numa loja e pedir ajuda ou chamar por um policial, se estiver por perto. Não é medo, é prudência e só faz bem.

E não dê pinta de turista perdida, como olhar sem saber pra onde ir e ficar consultando mapa na rua. Se informar antes e estar segur@ é essencial pra não dar bobeira.

* Como boa CouchSurfer (saiba mais aqui ou me perguntando), sempre procuro pessoas locais pra me situarem e passarem dicas antes de ir. Isso já me salvou de ser assaltada por uma txuma em Madri, pelo metrô em Paris e de ser surpreendida sem visto na Sérvia.


Passeio de bike em palma de Mallorca: explorando divertidamente


ECONOMIA

- Pesquise o lugar que vai. Em todos os aspectos isso vai te colocar numa situação privilegiada de fazer escolhas, como se hospedar no centro, economizar em passagens urbanas e ganhar em comodidade.
- Nos restaurantes coma o “prato do dia” que é sempre mais barato e dá pra comer bem.
- Compre comida em mercados que sai mais barato também.
- Use wifi gratuito em cafés e restaurantes.
- Se informe sobre melhores locais pra câmbio.
- Ande a pé, Luiz Gonzaga já dizia bem que tem “coisa que prá mode ver, o cristão tem que andar a pé” – walking tours são oferecidas grátis em vários lugares (como em Londres) e você ainda descola companhia pra te ajudar a tirar fotos. Bicileta, então, muitíssimo agradável! Ou use transporte público, assim você economiza e coopera pra mobilidade urbana do local. Se estiver em grupo, é muito válido checar preços, às vezes compensa dividir um táxi.


MOCHILA

Geralmente eu arrumo em duas etapas: primeiro pego tudo que vou precisar e encaixo na mochila, pra ter ideia da dimensão. Depois tiro tudo de dentro e faço um check list ao tempo que junto as coisas por “grupos”, pra ver se falta alguma coisa, ou pra tirar.

O conceito de “Grupos” vai da sua lógica de necessidade, aqui vão os meus:

1º de tudo: saco de dormir. NUNCA viajo na aventura sem ele e quem já passou aperreio sabe a falta que faz.
- Documentos (os importantes todos juntos na doleira e os papéis, passagens, cópias de documentos deixo numa pasta de plástico ou envoltos num saco plástico transparente).
- Roupas comuns (roupa íntima, legging ou calça confortável, short ou bermuda, camisas, meias)
- Roupas especiais (tênis impermeável, roupa de banho, chapéu, moleton, casaco térmico de fleece - , uma boa capa de chuva pode ser de muita ajuda)
- Calçados (tênis confortável, chinelo - principalmente pra tomar banho e evitar pegar fungos nos pés, bota)
- Primeiros-socorros e multi uso (vitamina C, band aid, paracetamol, remédio pra cólica e pra alergia, relaxante muscular, pomada de arnica, isqueiro, rolinho pequeno de esparadrapo, gases, álcool em gel, povidine, pinça, colírio, espelhinho)
- Material de higiene (protetor solar e labial,  uns cotonetes, xampu, sabonete líquido que não tem risco de cair no chão, toalha de banho em micro fibra, pasta de dentes, escova, fio dental, desodorante, cortador e serra de unha, 2 prendedores e uns grampos para cabelo. Eu também viajo com um rolo de papel higiênico)
- Câmera (checar cartões de memória, baterias extras, ver se vai precisar do tripé)
- Acessórios (pente ou escova, óculos escuros, alguma pulseira, colar ou enfeite de cabelo porque se aparece uma balada acessórios dão uma melhorada no visual, Também coloco um pó ou base leve pro rosto, lápis de olho e um batom ou gloss)
- Extras (tampão de ouvidos, tapa olhos, celular e carregador, adaptador de tomada, fones de ouvidos, notebook pra checar reservas e contatos nas próximas cidades, pen drive ou HD externo pra ir recolhendo material, quando dá também um livro e um mp3/mp4).


Eu agrupo as coisas em sacos ziploc, são transparente e isso ajuda a encontrar o que quero mais rápido, além de isolar e facilitar passar no controle de segurança dos aeroportos. E mais! Menos peso que a mais leve das necessaires.

Sacos plásticos são imprescindíveis! Uso transparentes pra separar conjunto de roupa limpa e esses de mercado pra roupa suja. Quando o ônibus que a gente tava entrou pela metade num rio na Bolívia, apenas eu e um amigo (que era do exército) escapamos com roupas secas dentro da mochila. E ficar com tudo molhado de água e lama não é bacana. [Tinha esquecido de mencionar isso,valeu, Bill!]

Água, barra de cereal, chocolate, algumas frutas secas como damasco e também uns amendoins, castanhas ou sementes de girassol pra garantir que a fome não cause dano.

Detalhes finais:
- Tenha uma folha de papel e uma caneta sempre em fácil acesso.
- Cadeado com código e capa protetora pra mochila.
- O peso maior deve se concentrar na parte de baixo da mochila e na área mais próxima às costas.
- Evitar colocar objetos pontiagudos em contato com as costas.
- Não coloque mais que 1/3 do seu peso na mochila. Nunca.
- Ajuste as alças.

Meu primeiro mochilão foi uma parte do Caminho de Santiago, quando meti quase 40kg nas costas e sofri sem necessidade. Aliás, necessidade é algo que constantemente muda de sentido e só você pode fazer isso uma boa coisa pra você mesm@.

A única certeza é que, quanto mais você viaja, mais bagagem você leva na cabeça e menos você leva na mochila ;)



Ah, talvez tenha também algo de cientificamente compreensível nessa agonia de parar num lugar! É o que diz o vagabundo profissional sobre a vontade de viajar e o gen da imigração.

A maioria das coisas aprendi com a vivência e também com dicas durante as viagens. Aqui vão alguns sites que já consultei em algum momento:
- mochileiros. com
http://gooutside.uol.com.br/942?utm_source=ALLINMAIL&utm_medium=email&utm_content=24886858&utm_campaign=21-09-11%20NEWSLETTER%20SEMANAL%20GO%20OUTSIDE&utm_term=t92.yu8m.yvx2.z.a.fmdp.f.gcu8.gdy.vm.yv.jn.lz9.gby.f2.y

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Expectativas

Faz tempo que expectativas vem sendo assunto com alguns amigos e amigas, pensem divergente ou semelhante ao que penso eu. Tentei algumas vezes explicar minha visão quanto às expectativas nas relações humanas. Não é que eu vá olhar pra Jason Momoa e logo imaginar todos os sorrisos cheiros de amor que ele vai me oferecer. Além de lavar meus pés e fazer uma massagem sempre que eu chegar em casa, claro.

Queria dizer que viajar na maionese é diferente do entorno emocional de pessoas que se conhecem e, teoricamente, querem fazer o bem umas pras outras. Relações são construídas também com alguma coisa de expectativa, justamente baseada nas práticas, na "vivência", por isso é tão importante a gente se comunicar, contato é tudo! Abdicar de conversar é abdicar da vontade que as coisas saiam bem. A demonstração de afeto rega os vínculos e a vida mostra pra gente que essas coisas bonitas, carinho, abraço, atenção, não se pedem.

Deixar de ter expectativa é deixar de acreditar. E sem acreditar, não há razão nem emoção pra fazer dar certo.

Peraí pra deixar claro: não tou dizendo pra dar murro em ponta de faca e insitir no que não tem solução. Tou falando pra gente se libertar da individuocracia! É que a gente não pode pensar pelos outros. Sendo assim, o melhor é buscar esclarecer situações e, para situações de sujeito plural, tomar decisões de sujeito plural. Os impactos negativos das adversidades nos contratos (expressos e tácitos) só podem ser amenizados com esclarecimentos, tanto antes quanto durante a vigência, seguindo uma lógica simples, simples de que é melhor cativar alegria que tristeza, sempre.

Quando li esse texto de Nyle Ferrari (abaixo) entendi que eu estava equivocada: não queria falar sobre espectativa e sim sobre consideração.

Costumo repetir que educação, exemplo, consideração, carinho, dá quem tem.
É de dentro pra fora.

"(Re)considere

Consideração é um dos sentimentos mais nobres das relações humanas. Exige extrema sensibilidade, exige a capacidade de ponderar, de levar em conta. Mas não qualquer coisa, é levar o outro em conta, é levar o que o outro sente em conta.

Considerar não é uma atitude difícil, o que torna o ato tão escasso é a falta de capacidade de olhar para o outro sem que ele peça que você faça. É um ato que exige enxergar através, é saber ler as entrelinhas, é pensar no que faria o outro se sentir considerado, levado em conta.

É tão complexo que muitas vezes você precisa ponderar e interpretar o que nunca foi dito – por isso é importante conhecer o outro, saber o que o faria feliz, ou então ter a capacidade de se por no lugar dele… Algo tão simples e óbvio, mas quantas vezes é necessário pedir?

Ter consideração é fazer para o outro algo que você não é obrigado, não lhe foi solicitado, mas ele gostaria muito se você fizesse; algo que seja percebido e sentido como um sussurro no ouvido: eu realmente me importo. Perceber que o outro se importa não tem preço. Perceber que não, tem."


Imagem retirada de busca no google.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Cicatriz


Aos 17 anos conversei com minha mãe e pedi autorização pra fazer minha primeira tatuagem.
Peguei o papel.
E foi agulha e tinta.
Minha avó e alguns familiares inicialmente desaprovaram aqueles riscos. "Pra que marcar sua pele, menina?" Pra cada indagação eu explicava, com carinho, que somos todos e todas feito de marcas.

Uns dois carnavais depois uma tia sentenciou que "mulher bonita tem que ter cicatriz de escape de moto".

Uma semana passando mal, até que comecei a vomitar sem conseguir parar.
Hospital. Apendicite.
Quando liguei pra casa, do outro lado do oceano, e informei que ia pro bisturi meu pai foi logo perguntando qual era o método da cirurgia, veio logo com uma video laparoscopia que eu nem conseguia pronunciar direito. Ele estava preocupado com o tamanho da cicatriz.

Sobre o que fica.
"Tratarei como sábio esta ferida, pra lembrar a loucura dos amores". Poeta Zeto. 

Sempre quis ter uma cicatriz. "Deixa de falar besteira, menina!" É que é uma histórica e você pode até contar pras amizades na mesa de bar - mas o melhor mesmo é que ela é sua, é sua história.

Cicatriz uma marca menosprezada, igual como a gente torce o nariz pro seio flácido que amamentou e esquece que esse seio deu momentos lindos pra história dessa mãe. E aí aparece todo tipo de receita pra evitar cicatriz: não corra, não suba aí, não se apegue, não crie expectativa. Como se desse pra viver sem desejo e sem curiosidade! Um tecido fibroso paga e ainda sobra gorjeta.

No fim das contas, fico encucada como a preocupação é com o fim e não com o processo. É mais que a marca de uma lesão, um impacto estético da perda da integridade da pele. Pro beleléu com essa integridade toda.  É uma lesão que foi cuidada, o cuidado sim merece nossa atenção e mais importante que ser inteiro é ser cheio. 


Pra dizer adeus, sigo acreditando numa frase calma de um desconhecido:
- Só as feridas limpas cicatrizam.

Atentos, brasileir@s


As fissuras sociais associadas à violência de uma polícia militarizada (no Brasil, um país em paz) só evidencia como ainda temos um longo caminho pra realização de uma verdadeira democracia.

O que eu comento das "jornadas de junho"? Não vamos desanimar, pessoal. Nem desinformar nem servir à interesses escusos por trás de golpes de extrema direita ou exterma esquerda e outras teorias conspiratórias.  Vamos evoluir nossa participação cidadã, as ruas lotadas falam sobre um povo que não aguenta mais ser opromido e silenciado.

Avançamos.
Sigamos.