sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Segredos


Sim, eu adoro discutir. E o tema que deu mote de uma falação madrugada adentro esta semana foi uma relação de elementos bem, digamos, polêmicos: identidade e amor.


Ele lê um texto e, impressionado, comenta que determinado autor escreve "questionamentos pertubadores (ou honestos demais) a respeito da identidade". Vou ficar devendo o nome do escritor, porque quero comentar apenas sobre a impressão que tenho de suas obras em breve, quando ler mais alguns livros dele.

Eu digo que o excesso, ou simplesmente a honstidade (sinceridade?), é algo perturbador. Mas nem tudo que perturbador está ligado com a questão da identidade e os desdobramentos do questionamento que fazemos quanto a esse tema. Às vezes, simplesmente temos que dar mais um mergulho, beber mais um gle, retroceder um passo, assentir com um sonoro "sim", ser firme com um "não".

Tudo que trata sobre inquietudes humanas é atual, porque somos cercados de mistérios. Um personagem de meu livro favorito (O dia do Curinga, recomendo) sempre diz para o filho o quanto nós, humanos, somos intrigantes. Ele filosofa constantemente sobre de onde viemos, o que fazemos aqui. Destaco: ele não questiona, ele maravilha-se com isso. No entanto, reconhece que, entre os tantos brilhões de mulheres que existem no mundo, ele inventa de ir atrás de uma, única, e só quer se for ela.

São constantes os exemplos, em livros, músicas, sobre a angústia de questionamentos e transformações e até crises de identidade envolvidas com o amor (ô palavra doce na boca do povo!). É um lugar comum que, serve a várias situações, tanto dão mote a risadas em mesa de bar, quando oprimem uma criatura num sofá, em plena noite de sábado, tomando sorvete e vendo filme, isso quando não enche o saco por acharmos que toda a produção cultural vem de imaginações temáticas limitadas. Pra que relaxar quando se pode noiar, né isso?

E o mais grave: não poder contar para ele ou ela sua angústia pela falta de DR - a temida, menos que boa, dicussão de relação.  É isso, ficar ali, na porta do banheiro, segurando pra não fazer xixi. Tememos confrontos principalmente, acredito, pelo medo da perda. É muito mais cômodo não mexer, pra não tirar nada do lugar, ingorando, igualmente, todas as descobertas maravilhosas que decorrem de frequentes discussões, com tantos finais felizes e gostosos.


E aí, quando você percebe que se importa demais com a despreocupação de alguém, restam duas opções:
Cai pra dentro ou pula fora.


Na sequência, de brinde,  aqui vai um vídeo de Frejat super bonitinho, que ganhou prêmios pela animação e tudo mais.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O peso da liberdade


Gostaria muito de desenhar uma árvore em nanquim ou mesmo grafite. Na falta disso, este momento, coloco  essa imagem catada no google.

Bom, esse post (e a futura imagem que farei) tem por nome "O peso da liberdade".
Ou "Rapadura é doce,mas não é mole."

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O CÉU



É lugar de se perder,
de não se encontrar
é denso, imenso, profundo
se entrega
aos olhares curiosos que ali
                         buscam
e encontram
cheiros e sabores.

Machuca, maltrata,
não mata, mas... sufoca.

Acima do que existe
padece
tão sem começo nem fim.

De tão leve
cai com o peso do mundo em
                       cima de mim.
É tão grande que dói.

             
                                                                         Canoa Quebrada, 05 de junho de 2010

quarta-feira, 25 de julho de 2012




E no dia do escritor
tive um sonho romântico
que escrevíamos
uma historia muito real
e que fazíamos muita poesia
juntos

domingo, 22 de julho de 2012

13 de fevereiro de 2012

Perdendo telhado. Ganhando estrelas.
Crescer é difícil, mas ser adulto sem perder a ternura é não perder o amor e a fé.

sábado, 30 de junho de 2012

Tradição na Boate


Preciso desabafar.
Não sei se é só meu jeito ranzinza mas vejo as coisas se transformando em situações chatas e feias. Pra ser mais legal, vejo o mundo virando BEGE.
Não que eu tenha algo contra o bege, acho uma cor charmosa, mas estamos cada vez mais vivendo só de charme, de status, de uma falsa riqueza.

Ryqueza pra mim não é luxo, é vida, é cor!
Caruaru, Arcoverde, Recife, em todos os lugares pessoas vestidas com roupas caras e nada a ver com a alegria de São João, xadrez, chita! Em todos os cantos, crepes, batata frita, salgadinho de alguma coisa, cachorro quente, uma dificuldade pra encontrar comida de verdade, milho e derivados!
Lembro que fui numa festa em São Paulo e quando tocou forró ficou todo mundo meio perdido e fiquei triste. Lembro, em Valladolid, de falar sobre nosso cultura, gastronomia e tradições, o pessoal ficar curioso e querendo conhecer. Estamos carentes de descontração, de liberdade, da nossa espontaneidade historicamente peculiar.Estamos precisando nos permitir.

Agora, fico me perguntando: o que somos e o que queremos ser?

terça-feira, 12 de junho de 2012

Si me amas en el pecho, besame los pies

Todo ano, a  mesma coisa. Quem goste e se derreta. Quem reclame dos preços. Quem reclame estar sozinho.

Foi quando ouvi Maná no carro e refleti: precisa mesmo de tanta necessidade e dependência? Não que os detalhes de pele que eles cantam sejam ruim, de forma nenhuma! Mas é o sofrimento que a possessividade nos submete. Característica humana ou construção cultural? Eu coloco 40% na coisa boa que é querer e ter um esquenta pé. Outros opressores 60% na ideia de algum espertinho ou espertinha de que somos metade e não inteiros. Eu não quero que um raio me parta se não tenho a exclusividade que não posso quero dar.

Não estou criticando exatamente a data comercial incentivada, talvez, por João Dória. O consumismo hoje está em tudo. A crítica é que, além de ordenarem "compre assim", ordenam "ame assim". E amor não se pede, nem se manda. Amor, acredito, é um exercício de liberdade e responsabilidade que não deveria ser objeto especulação. (Como tô romântica!)

La canción:

Poderia falar sobre o romantismo de pegar na mão de um jeito especial para ir ao cinema, mandar um cartão vermelho cheio de beijos ou daquele cuzcuz com queijo feito a dois para o jantar. Poderia falar da materialidade e de como eu mesma gosto de um agrado (ainda mais quando brilha!) e isso não significa uma obrigação gerada uma vez por ano. Levaria horas pra tentar explicar meu atual sentimento (nunca visão) de amor. Mas posso dizer o que não é. Amor não é pecado.

É, desse jeito, amor e namoro ficam parecendo tão desinteressantes.

Vá lá, cada um deve ter lá sua receita do bolo. Mas não precisa ser igual pra todo mundo, né?
E veja como é maravilhosa a possibilidade: o mundo tem 7 bilhões de pessoas, todas -ou quase- querendo amar de várias formas diferentes.  (Essa parte motivacional foi só pra ver se ganho um comentário a mais hahaha)

Coincidentemente, a data do namorico é a mesma do Dia Internacional do CouchSurfing. CS, como chamamos, é só amor. Fizemos bonito na comemoração ano passado e este ano, pra fazer ainda mais bonito, fomos dar amor. Doação coletiva de sangue no Hemope. 
(Quando eu morrer, quero dar meu coração, da forma mais bonita que se pode fazer).

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ir e voltar de verdade



A foto é minha. Ainda ontem um amigo disse que gostava muito das fotos que tirei em Copacabana, na Bolívia. Expliquei que elas eram resultado de toda angústia querendo sair da alma, por isso, falam tanto.













Li um texto, cuja autoria atribui-se a Arnaldo Jabour, faz uma meia hora, em alguma postagem alheia no facebook. Ele fala sobre relacionamentos, o quanto duram, as coisas boas e ruins. E como esse assunto dá pano pra manga!

Mas o que mais me chamou atenção foi a frase "se a pessoa gostar de verdade, ela volta". Foi quase uma emenda da conversa que tive com Carol e Thiago na hora do almoço sobre algumas coisas que devem ficar pra trás.
- Pode-se acabar com elas e ainda fazer parecer acidente.

Fico me perguntando por quê deixar a porta aberta, ou por quê atendê-la, quando alguém volta. Mas esse questionamento não é novo.

Hoje pergunto, apenas, o que faz você voltar?

terça-feira, 29 de maio de 2012

Carta de Motivação

Para fazer a pré-inscrição,o coordenador do curso me pede uma solicitação de admissão, onde eu expresse os motivos que me levam a solicitar inscrição. Aí, tudo que fluía, travou! Pensei: mas que burra! Sei o que quero estudar, sei onde quero estudar e sei a justificativa dessas escolhas. Além de gostar de escrever. Então, de onde vem a dificuldade?

Não sei se é o peso da obrigação mas, buscando aquela ajuda entre amigos&internet acabei entendendo que o que falta, muitas vezes, quando vamos escrever um texto que dominamos o tema mas aparecem dificuldades, é a necessidade em estruturar. Descobri que, diferente da Universidade para qual aplico, alguns cursos pedem apenas histórico escola e também que alguns cursos sequer pedem essa carta, apenas a apresentação de um pré-projeto.

Basicamente, é ser entusiasta e mostrar iniciativa, gosto em estudar, aplicabilidade dos conhecimentos a serem adquiridos e a importância que isso seja feito naquela institutição. E confiar nas notas e no currículo!

Aqui vão dicas legais que encontrei, com créditos ao Blog "De volta à Nave Mãe":


Dicas valem para todas as cartas:

- Mostre-se motivado com a proposta de estudo. Não repita a descrição do que você vai estudar: mas diga, de forma clara, o quanto cada tópico é relevante para sua carreira.

- Demonstre comprometimento: deixe claro que você quer, acima de tudo, estudar e que vai enfrentar qualquer desafio para dar o melhor de si.

- Fale de sua experiência como forma de agregar valor ao curso, mas deixe claro onde estão as lacunas (os gaps) de sua formação que serão preenchidos com o mestrado que pretende. Se souber tudo e for bom em tudo, não teria porque ir tão longe estudar, certo?

- Aponte experiências anteriores bem-sucedidas de forma sucinta. Não enrole, não coloque adjetivos demais. Adjetivos costumam ser bengalas para quem não tem conteúdo.

- Deixe claro que você está indo para estudar. Claro que o comitê de seleção sabe que uma experiência internacional agrega muito mais do que um mestrado em seu país natal. Por isso, só vale citar o quanto você quer ir para o tal país se isso tiver relação direta com seu foco de pesquisa: do contrário, vai parecer que você está mais preocupado em selecionar um destino turístico relacionado aos interesses pessoais do que ao tema a ser estudado.

- Por fim, deixe claro o motivo pelo qual você deve ser parte do programa. Não é preciso desmerecer ninguém: apenas mostre-se mais motivado, preparado, comprometido, informado e capaz do que os demais. Isso pode até parecer complicado no começo... mas depois de escrever e reescrever a carta umas dez vezes, você terá chegado a um bom termo.


- É importante relacionar o plano de estudos com a aplicabilidade.

- Apresente as qualidades para concluir os estudos, mas não repeta informação do seu currículo.

- Vale mencionar atividades sociais, voluntárias ou não.

-

Para cereja do bolo concluir, uma frase de efeito! Ela é que vai ficar na cabeça do examinador/selecionador.
Depois é só esperar a resposta.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O feijão e o motor

E quando a gente acha que nada pode piorar.

No caminho para almoçar vi todos os jornais, numa banca de revista, anunciando um pacote com gordos incentivos para venda de carros aos cidadãos do consumo lançado pelo governo de Dilma (Partido dos Trabalhadores). Foi com isto na cabeça que matutei durante meus 10 minutos de refeição, apreciando um prato de feijão preto como se fosse um artigo de luxo. E não é mesmo?

Não quero prestar um discurso demagógico anti-carro, faço uso dele quase sempre quando dirijo ou pego carona. Nem pretendo fazer de um desabafo blogueiro um tratado de economia, vez que a circulação de dinheiro faz bem para o país. Mas o quilo do feijão nosso de cada dia bomba aos R$ 6,00 (seis reais)!!!

Mas simplesmente não consigo acreditar nessa confusão do que vale mais! Nem na pretensão das atuais esquerdas gorvernantes em dizer-se esquerda. É compreensível a defesa do PT, afinal, ricos empresários também são trabalhadores e cuidam da manutenção de pobres empregados, alimentando as desigualdades sociais para, em seguida, tentar amenizá-las com distribuição econômica assistencial. Isso não é necessariamente uma crítica às Bolsas que o governo distribui, mas como soa nada lógico.

Os efeitos? Muitos. Problematizando apenas um deles: saúde.
Indivíduos saudáveis oneram menos o Estado, certo? Os carros, ao invés de bons transportes coletivos e bicicletas, geram engarrafamento, geram mais poluição, geram mais estresse, gera menor produtividade num país que tem muito pra crescer e gera tempo mínimo pra refeições, onde o feijão tem preço máximo.

Então por que não incentivar a saúde? Ao que parece, não "dá dinheiro".

Fico pensando se apenas eu acho que esse mundo está muito louco.

terça-feira, 15 de maio de 2012

O Quinto dos Infernos

¨O POVO QUE DESCONHECE SUA HISTÓRIA, ESTÁ CONDENADO A REPETÍ-LA.¨
"O povo que desconhe sua história, está condenado a repetí-la."
Eduardo Bueno

Hoje recebi um email do meu pai, que encaminhada o texto abaixo cuja AUTORIA eu DESCONHEÇO. Apesar de acreditar que a frase foi suave apelido dado ao Brasil pela esposa do D. João VI, Dona Carlotinha. De qualquer forma, se alguém souber quem escreveu o texto, agradeço a informação.

O "QUINTO DOS INFERNOS":
Durante o Século 18, o Brasil-Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal.
Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso País e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto".
Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro.
O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam "O Quinto dos Infernos".
E isso virou sinônimo de tudo que é ruim.
A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".
Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final do ano de 2011 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção.
Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...
Para quê?
Para sustentar a corrupção? Os mensaleiros? O Senado com sua legião de "Diretores"? A festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar nos 3 Poderes (Executivo/Legislativo e Judiciário)?!?
Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar essa corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa!
E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Por que escrever?

Hoje comentei com um amigo muito querido, Jorge, sobre o quanto gostaria de dedicar tempo à escrever no blog. Foi quando Jorge me disse:

"As ideias, quando não usadas, são levadas pelo vento e ficam com outras pessoas."

Na melhor das hipóteses, serão utilizadas por alguém, em algum momento. Mas acredito que o que Jorginho quis mesmo me dizer foi: Menina, não vá se perder por aí; deixar escapar ideias, é deixar escapar vida.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Começando o ano com Cristovam Buarque

A corrupção do discurso

Por Cristovam Buarque

Nas últimas décadas, independentemente do país, os governos têm se caracterizado pelo medo ou a incapacidade de dizer a verdade a seus povos e eleitores. Talvez essa seja a maior de todas as corrupções que caracterizam o processo político no mundo. Por anos seguidos, os chefes de Estado e de governo têm evitado informar os limites do desenvolvimento baseado no crescimento econômico.
Por anos seguidos, os governantes esconderam que a crise financeira estava sendo construída, e que as medidas tomadas não passavam de pequenos ajustes, que jogavam a crise para adiante, sem enfrentá-la plenamente. Evitaram informar que o sistema financeiro estava adquirindo um poder supranacional desvinculado da realidade econômica. Para manter o incentivo ao crescimento, deixaram que os bancos alavancassem empréstimos muito além do que permite a saúde bancária; e que a especulação cruzasse as fronteiras nacionais, independentemente das decisões nacionais de política monetária e financeira. O resultado é a crise na sua dimensão atual, com os bancos quebrando, as economias nacionais falindo e o desemprego se transformando em catastrófica tragédia social.
Tiveram medo de informar que o crescimento econômico estava degradando a natureza além do limite possível. O resultado é que o crescimento da produção está provocando uma desarticulação do equilíbrio ecológico, com efeitos devastadores sobre o clima e todas suas consequências. Eles também não quiseram enfrentar os eleitores informando sobre a impossibilidade de manter os sistemas de bem-estar social nos níveis a que as populações foram se acostumando, nem atender a todas as reivindicações das diversas corporações que compõem a rede social.
Não quiseram informar que o mundo estava entrando em um novo modelo econômico baseado no conhecimento, e que não mais haveria emprego para os indivíduos, nem dinâmica para as economias se não houvesse redirecionamento de investimentos de outras áreas para a educação.
Em resumo, nenhum governo, por medo político ou por incapacidade de estadista, ou as duas coisas, quis deixar claro o esgotamento do modelo de desenvolvimento econômico baseado no aumento constante do consumo graças à irresponsabilidade do sistema bancário. O resultado é a crise geral. Países incapazes de controlar suas finanças; a ecologia se desequilibrando; os governos incapazes de cumprir os compromissos com suas populações; jovens sem perspectiva de emprego; e idosos sem contar com as aposentadorias nos seus últimos anos de vida.
E, apesar da imensa dimensão da crise, os políticos no governo continuam a esconder a realidade e os da oposição continuam a insuflar medidas que agravarão o problema, para chegarem ao poder e continuarem adiando as soluções. Como vem ocorrendo nas eleições europeias dos últimos meses. Mas o momento exige que se explicite a impossibilidade de cumprir as promessas do progresso como sinônimo de aumento da produção material. E também a verdade de que a economia verde e o desenvolvimento sustentável serão apenas artifícios para não mudar a direção da marcha que a humanidade vem seguindo há diversas décadas ou até mesmo há um ou dois séculos.
Ao invés dos pequenos arranjos, o mundo precisa definir um novo propósito social: substituir o progresso identificado com o crescimento econômico pelo progresso da ampliação do bem-estar social, com o equilíbrio ecológico e controle sobre as finanças, tanto do ponto de vista das fronteiras quanto do ponto de vista do equilíbrio orçamentário. Para isso, será preciso que a política e os políticos, especialmente aqueles no governo, assumam compromisso com a verdade, eliminando a corrupção do discurso.
A presidente Dilma teria a chance de aproveitar a Conferência Rio+20 para atrair o mundo para uma reflexão sobre o compromisso com a verdade. Mas, aparentemente, o discurso do governo afirma exatamente o contrário: tenta iludir ao afirmar que o Brasil é a 6ª potência econômica do mundo, um país capaz de construir trem-bala, fazer a Copa do Mundo e as Olimpíadas, quando, na verdade, é incapaz de ser exemplo de um discurso honesto propondo uma reorientação de nosso futuro para um desenvolvimento humano, comprometido com o bem-estar social, com a natureza e com a humanidade, incluindo suas gerações futuras.
Cristovam Buarque é senador (PDT-DF).