segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Começando o ano com Cristovam Buarque

A corrupção do discurso

Por Cristovam Buarque

Nas últimas décadas, independentemente do país, os governos têm se caracterizado pelo medo ou a incapacidade de dizer a verdade a seus povos e eleitores. Talvez essa seja a maior de todas as corrupções que caracterizam o processo político no mundo. Por anos seguidos, os chefes de Estado e de governo têm evitado informar os limites do desenvolvimento baseado no crescimento econômico.
Por anos seguidos, os governantes esconderam que a crise financeira estava sendo construída, e que as medidas tomadas não passavam de pequenos ajustes, que jogavam a crise para adiante, sem enfrentá-la plenamente. Evitaram informar que o sistema financeiro estava adquirindo um poder supranacional desvinculado da realidade econômica. Para manter o incentivo ao crescimento, deixaram que os bancos alavancassem empréstimos muito além do que permite a saúde bancária; e que a especulação cruzasse as fronteiras nacionais, independentemente das decisões nacionais de política monetária e financeira. O resultado é a crise na sua dimensão atual, com os bancos quebrando, as economias nacionais falindo e o desemprego se transformando em catastrófica tragédia social.
Tiveram medo de informar que o crescimento econômico estava degradando a natureza além do limite possível. O resultado é que o crescimento da produção está provocando uma desarticulação do equilíbrio ecológico, com efeitos devastadores sobre o clima e todas suas consequências. Eles também não quiseram enfrentar os eleitores informando sobre a impossibilidade de manter os sistemas de bem-estar social nos níveis a que as populações foram se acostumando, nem atender a todas as reivindicações das diversas corporações que compõem a rede social.
Não quiseram informar que o mundo estava entrando em um novo modelo econômico baseado no conhecimento, e que não mais haveria emprego para os indivíduos, nem dinâmica para as economias se não houvesse redirecionamento de investimentos de outras áreas para a educação.
Em resumo, nenhum governo, por medo político ou por incapacidade de estadista, ou as duas coisas, quis deixar claro o esgotamento do modelo de desenvolvimento econômico baseado no aumento constante do consumo graças à irresponsabilidade do sistema bancário. O resultado é a crise geral. Países incapazes de controlar suas finanças; a ecologia se desequilibrando; os governos incapazes de cumprir os compromissos com suas populações; jovens sem perspectiva de emprego; e idosos sem contar com as aposentadorias nos seus últimos anos de vida.
E, apesar da imensa dimensão da crise, os políticos no governo continuam a esconder a realidade e os da oposição continuam a insuflar medidas que agravarão o problema, para chegarem ao poder e continuarem adiando as soluções. Como vem ocorrendo nas eleições europeias dos últimos meses. Mas o momento exige que se explicite a impossibilidade de cumprir as promessas do progresso como sinônimo de aumento da produção material. E também a verdade de que a economia verde e o desenvolvimento sustentável serão apenas artifícios para não mudar a direção da marcha que a humanidade vem seguindo há diversas décadas ou até mesmo há um ou dois séculos.
Ao invés dos pequenos arranjos, o mundo precisa definir um novo propósito social: substituir o progresso identificado com o crescimento econômico pelo progresso da ampliação do bem-estar social, com o equilíbrio ecológico e controle sobre as finanças, tanto do ponto de vista das fronteiras quanto do ponto de vista do equilíbrio orçamentário. Para isso, será preciso que a política e os políticos, especialmente aqueles no governo, assumam compromisso com a verdade, eliminando a corrupção do discurso.
A presidente Dilma teria a chance de aproveitar a Conferência Rio+20 para atrair o mundo para uma reflexão sobre o compromisso com a verdade. Mas, aparentemente, o discurso do governo afirma exatamente o contrário: tenta iludir ao afirmar que o Brasil é a 6ª potência econômica do mundo, um país capaz de construir trem-bala, fazer a Copa do Mundo e as Olimpíadas, quando, na verdade, é incapaz de ser exemplo de um discurso honesto propondo uma reorientação de nosso futuro para um desenvolvimento humano, comprometido com o bem-estar social, com a natureza e com a humanidade, incluindo suas gerações futuras.
Cristovam Buarque é senador (PDT-DF).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Controvérsias do mundo



Morgana Le Fay





"Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. O mundo das fadas afasta-se cada vez mais daquele em que cristo predomina. Nada tenho contra o Cristo, apenas contra os seus sacerdotes, que chama a Grande Deusa de demônio e negam o seu poder no mundo. Alegam que, no máximo, esse seu poder foi o de Satã. Ou vestem-na com o manto azul da Senhora de Nazaré – que realmente foi poderosa, ao seu modo –, que, dizem, foi sempre virgem. Mas o que pode uma virgem saber das mágoas e labutas da humanidade? E agora que este mundo está mudado e Arthur – meu irmão, meu amante, rei que foi e rei que será – está morto (o povo diz que ele dorme) na ilha sagrada de Avalon, é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e lendas. Pois, como disse, o próprio mundo mudou.(...) (...)Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada" (Marion Zimmer Bradley - As Brumas de Avalon)


Feliz encontro e feliz parte no encontro dos mundos!

sábado, 2 de julho de 2011

Altamente pertubada

Ah, tu

a
tu
ator

doe
à mim

domingo, 5 de junho de 2011

O que você quer?

Você tem fome de que?

Você tem medo de que?

Você pensa o que? E o que você quer pensar?

Não seria mais fácil simplesmente não fazer planos? Mas como alcançar objetivos sem fazer planos?


Retome a responsabilidade, ações tem consequências e sempre você tem que fazer escolhar e lidar com os reflexos disso. E das escolhas.

domingo, 20 de março de 2011

Caro Obama

Como qualquer brasileira, não acompanhei de perto a visita do presidente Obama além das notícias na imprensa...
Então ele invadiu minha casa pela transmissão televisiva. Na minha casa e de mais
A mensagem de "esperança e otimismo" que o levou ao cargo de Presidente dos Estados Unidos hoje soa como trilha sonora enquanto a imagem do primeiro negro presidente nos Estados Unidos da América - a grande potência mundial - oferece a mão, amizade, parceiria e cooperação junto com o Brasil.

Exaltou nosso país, pronunciou palavras em português. Nada arriscado, afinal, há valores a serem preservados.
Ele fala em valores em comum entre os dois países. A TV Globo empurrou a interpretação: Obama falou em Lula quando mencionou o exemplo de uma criança pobre de Pernambuco que sai do trabalho em uma fábrica de cobra alcança o cargo de maior importância no país. Não vou nem perguntar onde fica essa tal fábrica de cobre no meu próprio estado e que não conheço... Mas ninguém se dá conta de como Lula é o perfeito garoto propaganda do capitalismo?
Isso! Vá em frente! Você também consegue! Seja um VENCEDOR e alcance seu lugar so sol!!!
Se você conseguir... Ah... Acontece... Você não foi o melhor... Você sabe, o mundo tem muita gente e não tem lugar pra todo mundo...

E enquanto lia uns emails, constatei que ele não parava de falar já havia uns bons minutos. Quem paga para a rede Globo deixa-lo tanto tempo no ar, reproduzindo seu discurso simpático na íntegra?

Vou voltar pra monigrafia agora.
E que deus abençoe nossas nações.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011



Nosso arbítrio não é livre
Obedece ao apito deles
E ao negarmos, somos cegos
E ao resignarmos, somos reles
- Fantoches sem opção
Cúmplices desse crime cruel
E ao olharmos para o céu

Esperando caridade
Esquecemos que o trabalho é o exercício da paixão


Confundimos passividade e alento
Põe-se o conforto na realização
Mas ao contestarmos, somos fortes
E mudarmos, nascemos
E ao vivermos, buscamos
Na alegria e na anarquia o sustento


06/02/2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

Hoje vi a postagem mais recente de um amigo. Ele transcreveu
O espetáculo é a aparência que confere integridade e sentido a uma sociedade esfacelada e dividida. É a forma mais elaborada de uma sociedade que desenvolveu ao extremo o ‘fetichismo da mercadoria’ (felicidade identifica-se a consumo). Os meios de comunicação de massa são apenas ‘a manifestação superficial mais esmagadora da sociedade do espetáculo, que faz do indivíduo um ser infeliz, anônimo e solitário em meio à massa de consumidores’”. - trecho de A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord

Isso veio bem a calhar com o que vem matelando meu juízo desde 2ª feira, quando assisti uma peça chamada O ANIMAL AGONIZANTE, no janeiro de grandes espetáculos/RECIFE. Todos os anseios, desejos, expecativas, perspectivas, medos e agonias de David, um idoso que não é idoso, por assim acreditar.
Mas isso vai ficar pruma próxima.

Nos perdemos porque a maioria dos problemas humanos reside justamente em não conseguir a medida -individual- da consciência/responsabilidade/técnica com o improviso/acaso/laissez faire, laissez passer.
Questionar as escolhas (sem ser encurralado pelo questionamento ou pelas decisões) e viver de forma plena, disfrutando de tudo ?  E lá vamos nós.





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