domingo, 3 de março de 2013

Bilhete perdido



O cotidiano nos engana. Dia após dia, a sucessão de fatos nos enrola na teia da dormência; é quando os dias vão passando cheias de tarefas cumpridas e outras a cumprir.

Acordou com o despertador. Banho, um rápido café da manhã de pé, na cozinha, enrolada na toalha, escova de dentes. No espelho, apenas a divisão do cabelo. A noite anterior havia sido bacana e não apenas por reencontrar aquele conhecido pra tomar uns drinks. Realmente bacana encontrá-lo pela segunda vez, conversar sobre passado e futuro, fingindo que ambos não se interessavam por esse presente.

Mas sair outro dia iria custar muito: dormir tarde, acordar cedo, trabalhar com ressaca, correr o risco de atrasar prazos. Basicamente, custaria todos os riscos de dar errado e os riscos de dar certo.

Adriano lhe havia deixado uma mensagem, entre dia e outro no cotidiano. Por alguma razão, ela demorou mais de 2 anos para encontrar aquele bilhete perdido, cheio de intencionalidade de presente. Ficou no passado. E no passado, não se mexe.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Segredos


Sim, eu adoro discutir. E o tema que deu mote de uma falação madrugada adentro esta semana foi uma relação de elementos bem, digamos, polêmicos: identidade e amor.


Ele lê um texto e, impressionado, comenta que determinado autor escreve "questionamentos pertubadores (ou honestos demais) a respeito da identidade". Vou ficar devendo o nome do escritor, porque quero comentar apenas sobre a impressão que tenho de suas obras em breve, quando ler mais alguns livros dele.

Eu digo que o excesso, ou simplesmente a honstidade (sinceridade?), é algo perturbador. Mas nem tudo que perturbador está ligado com a questão da identidade e os desdobramentos do questionamento que fazemos quanto a esse tema. Às vezes, simplesmente temos que dar mais um mergulho, beber mais um gle, retroceder um passo, assentir com um sonoro "sim", ser firme com um "não".

Tudo que trata sobre inquietudes humanas é atual, porque somos cercados de mistérios. Um personagem de meu livro favorito (O dia do Curinga, recomendo) sempre diz para o filho o quanto nós, humanos, somos intrigantes. Ele filosofa constantemente sobre de onde viemos, o que fazemos aqui. Destaco: ele não questiona, ele maravilha-se com isso. No entanto, reconhece que, entre os tantos brilhões de mulheres que existem no mundo, ele inventa de ir atrás de uma, única, e só quer se for ela.

São constantes os exemplos, em livros, músicas, sobre a angústia de questionamentos e transformações e até crises de identidade envolvidas com o amor (ô palavra doce na boca do povo!). É um lugar comum que, serve a várias situações, tanto dão mote a risadas em mesa de bar, quando oprimem uma criatura num sofá, em plena noite de sábado, tomando sorvete e vendo filme, isso quando não enche o saco por acharmos que toda a produção cultural vem de imaginações temáticas limitadas. Pra que relaxar quando se pode noiar, né isso?

E o mais grave: não poder contar para ele ou ela sua angústia pela falta de DR - a temida, menos que boa, dicussão de relação.  É isso, ficar ali, na porta do banheiro, segurando pra não fazer xixi. Tememos confrontos principalmente, acredito, pelo medo da perda. É muito mais cômodo não mexer, pra não tirar nada do lugar, ingorando, igualmente, todas as descobertas maravilhosas que decorrem de frequentes discussões, com tantos finais felizes e gostosos.


E aí, quando você percebe que se importa demais com a despreocupação de alguém, restam duas opções:
Cai pra dentro ou pula fora.


Na sequência, de brinde,  aqui vai um vídeo de Frejat super bonitinho, que ganhou prêmios pela animação e tudo mais.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O peso da liberdade


Gostaria muito de desenhar uma árvore em nanquim ou mesmo grafite. Na falta disso, este momento, coloco  essa imagem catada no google.

Bom, esse post (e a futura imagem que farei) tem por nome "O peso da liberdade".
Ou "Rapadura é doce,mas não é mole."

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O CÉU



É lugar de se perder,
de não se encontrar
é denso, imenso, profundo
se entrega
aos olhares curiosos que ali
                         buscam
e encontram
cheiros e sabores.

Machuca, maltrata,
não mata, mas... sufoca.

Acima do que existe
padece
tão sem começo nem fim.

De tão leve
cai com o peso do mundo em
                       cima de mim.
É tão grande que dói.

             
                                                                         Canoa Quebrada, 05 de junho de 2010

quarta-feira, 25 de julho de 2012




E no dia do escritor
tive um sonho romântico
que escrevíamos
uma historia muito real
e que fazíamos muita poesia
juntos

domingo, 22 de julho de 2012

13 de fevereiro de 2012

Perdendo telhado. Ganhando estrelas.
Crescer é difícil, mas ser adulto sem perder a ternura é não perder o amor e a fé.

sábado, 30 de junho de 2012

Tradição na Boate


Preciso desabafar.
Não sei se é só meu jeito ranzinza mas vejo as coisas se transformando em situações chatas e feias. Pra ser mais legal, vejo o mundo virando BEGE.
Não que eu tenha algo contra o bege, acho uma cor charmosa, mas estamos cada vez mais vivendo só de charme, de status, de uma falsa riqueza.

Ryqueza pra mim não é luxo, é vida, é cor!
Caruaru, Arcoverde, Recife, em todos os lugares pessoas vestidas com roupas caras e nada a ver com a alegria de São João, xadrez, chita! Em todos os cantos, crepes, batata frita, salgadinho de alguma coisa, cachorro quente, uma dificuldade pra encontrar comida de verdade, milho e derivados!
Lembro que fui numa festa em São Paulo e quando tocou forró ficou todo mundo meio perdido e fiquei triste. Lembro, em Valladolid, de falar sobre nosso cultura, gastronomia e tradições, o pessoal ficar curioso e querendo conhecer. Estamos carentes de descontração, de liberdade, da nossa espontaneidade historicamente peculiar.Estamos precisando nos permitir.

Agora, fico me perguntando: o que somos e o que queremos ser?